Uma operação realizada pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) flagrou uma mineradora em Nossa Senhora do Livramento, a 100 quilômetros de Cuiabá, operando em uma área de extração mineral ilegal desativada com muitos resíduos perigosos abandonados de forma inadequada. A devastação chegou tão próximo de uma rodovia que a coloca em risco de desabamento. A área integra o acesso ao Pantanal Matogrossense, que vem sofrendo com grande desmatamento.
O proprietário da área que, segundo um vigilante do imóvel, reside na vizinha cidade de Várzea Grande, será notificado para providenciar a recuperação da área degradada. A área foi embargada e duas escavadeiras e três caminhões basculantes foram surpreendidos em plena atividade nas áreas irregulares.
A operação se estendeu ainda ao município de Poconé. No distrito de Cangas foi localizado, em plena atividade, um empreendimento de mineração sem licença ambiental. Contrariando as declarações do responsável pelo garimpo de que não possuía mercúrio no local, os agentes de fiscalização localizaram um frasco irregular contendo o produto imerso em água. Após receber os autos de infração e os termos de embargo e o de apreensão dos veículos e equipamentos, o proprietário foi conduzido pela Policia Militar Ambiental para a Delegacia de Várzea Grande.
Ao todo, a operação do Ibama e Policia Militar Ambiental aplicou R$ 3,2 milhões de multas e apreendeu cinco caminhões basculantes, três escavadeiras, duas pás-carregadeiras e diversos motores, moinhos e demais equipamentos de mineração, além de uma motosserra sem licença em garimpos de extração de ouro localizados nos municípios e Nossa Senhora do Livramento e Poconé. Três empresas tiveram o Cadastro Técnico Geral (CTF) suspenso para averiguações.
A operação, com o apoio da Policia Militar Ambiental, apura as denúncias feitas pelo Ministério Público sobre atividades ilegais. Os alvos da operação foram identificados a partir de informações colhidas no website Sigmine, do Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM), associado à interpretação de imagens de satélite pelos técnicos do Ibama. Na operação também se verificou o comércio de mercúrio, utilizado na mineração, complementando as ações da Operação Termômetro que fiscalizou, durante 2013, as empresas que comercializam mercúrio metálico na baixada cuiabana.
Segundo o analista ambiental Werikson Trigueiro, superintendente em exercício do Ibama de Mato Grosso, “d desmatamento ilegal na região do Pantanal Mato-grossense é um problema grave, mas a contaminação do solo com derivados de petróleo e com mercúrio é uma questão gravíssima”. Ele disse que municípios, estado e união devem assumir o papel definido pela Constituição Federal e pela Lei Complementar nº 140, de 08/12/2011, somando esforços na proteção do meio ambiente”.
A baixada cuiabana é uma grande produtora e consumidora de peixe. O cuidado no uso do mercúrio, e outros produtos perigosos, é essencial para não comprometer a saúde da população e do meio ambiente pantaneiro.
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